A bilheteria mundial no primeiro dia da nova ficção científica alienígena de Steven Spielberg, Disclosure Day, já está girando em torno da marca de US$ 12 milhões, segundo fontes quentes do mercado. Essa bolada inicial inclui US$ 6 milhões arrecadados logo na quarta-feira em sua primeira leva de mercados internacionais, somados às pré-estreias domésticas nos Estados Unidos, que também bateram na casa dos US$ 6 milhões com sessões começando a partir das 14h de hoje. Como de praxe na indústria, esse número da noite de quinta é uma estimativa; a arrecadação das pré-estreias pode variar um pouco para mais ou para menos até o café da manhã do dia seguinte.

O longa, estrelado por Emily Blunt, Colman Domingo e Josh O’Connor, tem uma projeção de fechar o fim de semana de estreia com uns US$ 65 milhões no mundo todo logo de cara, com o mercado doméstico abocanhando mais ou menos US$ 35 milhões desse montante. A recepção crítica também tá jogando junto: no Rotten Tomatoes, o filme abriu com 82% de aprovação e o selo Certified Fresh. Se a gente colocar isso na balança com outras ficções científicas do diretor vencedor do Oscar, a novidade já larga na frente de Guerra dos Mundos (76%) e A.I. – Inteligência Artificial (76%), embora fique um pouquinho atrás de intocáveis como Contatos Imediatos do Terceiro Grau (91%) e Minority Report (89%).

O Desempenho Pelo Mundo

Aqueles US$ 6 milhões internacionais de quarta-feira abraçam quase todos os mercados-chave, deixando de fora apenas a China e a Espanha, onde Disclosure Day aterrissa amanhã. Até o apagar das luzes de sexta, o filme vai ter pousado de vez em 73 mercados, dominando mais de 50,6 mil telas espalhadas por 21,6 mil complexos de cinema. A meta para o mercado internacional é fechar o fim de semana batendo os US$ 30 milhões.

Em muito lugar lá fora, a nova aposta de Spielberg já está sugando mais grana do que seu último trampo de sci-fi, Jogador Nº 1. Mas convenhamos, essa comparação é meio ingrata (pelo menos por enquanto), já que aquele filme estreou com absurdos US$ 49 milhões no mercado gringo impulsionado pela força surreal da China pré-Covid. Dá uma olhada no cenário em alguns países:

  • Reino Unido e Irlanda: O filme fez US$ 1,2 milhão na quarta, cravando o primeiro lugar com 36% de fatia do mercado em 650 cinemas. É um resultado que já bate as pré-estreias de Twisters e se alinha com o fôlego inicial do último Missão: Impossível.

  • França e México: Na França, o longa levou a medalha de ouro faturando US$ 632 mil (73 mil ingressos vendidos), deixando para trás aberturas de filmes como Blade Runner 2049 e A Quiet Place: Day One. O México também fez bonito, liderando as bilheterias com US$ 486 mil em 1.800 telas.

  • Coreia do Sul, Alemanha e Itália: Nesses mercados, o filme também dominou o topo da lista no dia de estreia, com faturamentos que variam entre US$ 336 mil e US$ 383 mil, trucidando os números iniciais de concorrentes recentes.

  • Brasil e Austrália: Aqui no Brasil, o lançamento teve um começo bem sólido, arrecadando US$ 231 mil na quarta e ficando em segundo lugar, perdendo apenas para Todo Mundo em Pânico, que tá nadando de braçada por aqui ultimamente. Lá na Austrália, dominando 36% do Top 10 local, Disclosure Day já acumula US$ 594 mil somando sessões especiais e a estreia oficial.

A Obsessão de Uma Vida Inteira

Mas o que explica esse apelo tão imediato? A verdade é que Disclosure Day é, em partes iguais, um filme de perseguição alucinante e uma meditação altamente pessoal sobre a fixação de uma vida inteira de Spielberg. Na cabine de imprensa que participei, quando a logo da Amblin Entertainment apareceu na tela — aquela imagem clássica e nostálgica de E.T. com o menino na bicicleta desenhado contra a lua cheia —, a galera já começou a bater palmas por antecipação. Claro que isso mostra o carinho da comunidade cinéfila com o diretor. Mas aquela imagem saudosa também serviu de lembrete sobre o tempo que Spielberg passa orbitando essa mesma temática.

Quarenta e quatro anos depois de imaginar a amizade entre um moleque do subúrbio e um alienígena perdido, lá estava o cineasta, hoje no auge dos seus 79 anos, dando mais uma cartada numa história onde a humanidade descobre que não estamos sozinhos. Na real, E.T. não foi o começo, mas só uma parada inicial dessa viagem. Se você cavar até Firelight, o filme em 8mm (hoje quase perdido) que ele dirigiu no ensino médio, o homem já tá há 62 anos fazendo filmes sobre outras formas de vida dando as caras na Terra. O personagem do Richard Dreyfuss em Contatos Imediatos, construindo sua montanha de purê de batatas de forma obsessiva, é basicamente o autorretrato do Spielberg: um tema ao qual ele retornou repetidas vezes ao longo da vida.

O Dia Que Tudo Muda

Agora, com esse novo thriller, Spielberg dá uma matizada naquele deslumbramento juvenil de E.T. com o tom mais melancólico de alguns dos seus trabalhos mais maduros. Enquanto assistia, minha cabeça ia direto para Minority Report (2002): é outra ficção que, assim como o novo filme, é essencialmente uma longa perseguição, mas que te dá tempo de sobra para refletir sobre a condição humana.

A trama já começa caindo de paraquedas no meio da ação: na arquibancada de uma luta livre, um jovem chamado Daniel Kellner (Josh O’Connor) tá no meio de uma negociação hiper tensa com uns agentes governamentais sobre uma mochila misteriosa. A gente logo saca que os caras sequestraram a namorada de Daniel, Jane (Eve Hewson), e a usam como moeda de troca pelo conteúdo ultrassecreto da bolsa. Quem apita essa caçada é Noah Scanlon (Colin Firth), chefão de uma organização obscura chamada Wardex.

Conforme Danny explica para Jane durante a fuga, ele e uma galera que trabalhava na Wardex vazaram de lá com tecnologia alienígena roubada — justamente o tipo de coisa que a empresa existe para manter a sete chaves. São artefatos de naves caídas no último século, a começar pelo caso Roswell em 1947. O plano desse grupo rebelde, encabeçado por Hugo Wakefield (Colman Domingo), é jogar no ventilador essas sete décadas de dados confidenciais num vazamento global sem precedentes: o tal do “dia da revelação”.

O resto do filme se desenrola num intervalo frenético de 24 horas. Daniel e Jane fogem para um esconderijo que se mostra zero seguro, considerando a habilidade bizarra que Scanlon tem de “mergulhar” na consciência das outras pessoas usando a tecnologia extraterrestre. Em paralelo a todo esse caos, em Kansas City, uma ambiciosa meteorologista chamada Margaret Fairchild (Emily Blunt) começa a desenvolver poderes inexplicáveis. Depois de um encontro fortuito com um pássaro cardeal que entra voando pela sua janela, ela subitamente ganha a capacidade de vislumbrar o mundo interior de cada nova pessoa que cruza o seu caminho.