As imagens e descrições feitas pela tripulação da Artemis II durante a passagem pelo lado oculto da Lua ganharam uma segunda vida após o retorno à Terra. O comandante Reid Wiseman e os outros três astronautas registraram a paisagem pela cápsula Orion, enquanto a NASA organizou fotografias, áudios, desenhos e anotações em um relatório preliminar aberto à análise científica.

Durante cerca de 40 minutos, o relevo lunar bloqueou as comunicações entre a nave e o controle da missão. Antes da interrupção, Wiseman descreveu a Terra distante como uma pequena lua crescente. Quando o contato foi restabelecido, a especialista de missão Christina Koch confirmou a comunicação com Houston. O período de silêncio, previsto no plano de voo, marcou uma das etapas mais simbólicas da viagem.

A missão também levou seres humanos a uma distância da Terra superior ao recorde estabelecido pela Apollo 13. O feito colocou a tripulação diante de ângulos e condições de iluminação que não haviam sido observados da mesma maneira por astronautas das missões anteriores. A Orion voltou ao planeta em 10 de abril, pousando no Pacífico após uma reentrada em alta velocidade.

O relatório da NASA mostra que a experiência não se limitou à contemplação. Durante um eclipse solar total visto nas proximidades do lado oculto, três tripulantes identificaram cinco pontos de luz extremamente fracos na superfície. A análise inicial indica que eram flashes produzidos pelo impacto de fragmentos rochosos de poucos centímetros, viajando a milhares de quilômetros por hora.

Sem atmosfera para desacelerar ou destruir esses objetos, a Lua recebe impactos diretamente. Observar os clarões a olho nu, em condições excepcionalmente escuras, cria um conjunto raro de dados sobre a frequência de pequenas colisões. Essa informação ajuda a avaliar riscos de longo prazo para futuras estruturas, equipamentos e áreas habitadas na superfície lunar.

Os astronautas também anotaram variações discretas de cinza, preto, marrom, branco, verde e azul no terreno. Essas cores podem estar associadas a diferenças de minerais e rochas: tons azulados podem indicar materiais vulcânicos ricos em titânio, enquanto marrons se relacionam a concentrações de ferro e verdes podem apontar para vidros formados por erupções ou impactos.

Comparadas às medições da Lunar Reconnaissance Orbiter, as fotografias e percepções humanas ajudam cientistas a separar características geológicas reais de efeitos criados pelo ângulo da luz. Essa distinção será importante nas regiões polares, onde sombras extensas e iluminação extrema podem afetar navegação e interpretação visual. A Artemis II mostrou, assim, que o olhar treinado da tripulação continua sendo um instrumento científico relevante ao lado de câmeras e sensores.