A série “Por que as Mulheres Matam” chegou ao catálogo do Prime Video chamando a atenção de imediato, especialmente por carregar a assinatura de Marc Cherry. Quem acompanhou de perto os dramas do subúrbio de “Desperate Housewives” entre 2004 e 2012 vai reconhecer rapidamente a mente brilhante do autor. A produção, que chegou a inspirar uma adaptação brasileira em uma parceria da RedeTV com a Disney, resgata a sutileza narrativa e a ironia afiada de Cherry. O diretor traz de volta a figura do narrador, que desta vez surge de forma ocasional, costurando com perfeição aquela clássica mistura de humor e drama capaz de deixar até as situações mais tensas com um ar completamente inusitado.

Três décadas, a mesma casa e um elenco de peso

A genialidade da trama está na forma como ela analisa a evolução do comportamento social ao longo do tempo, sem jamais perder o ritmo. Acompanhamos casamentos vivenciados em épocas completamente diferentes – nos anos 1960, na década de 1980 e na atualidade – todos habitando a mesmíssima propriedade. Para dar vida a essas histórias, o elenco feminino é encabeçado por um trio de peso: Ginnifer Goodwin, Lucy Liu e Kirby Howell-Baptiste. É por meio de suas atuações que enredos de adultério e diferenças de classe, embora propositalmente exagerados na tela, encontram base em conflitos reais e muito humanos.

Estética impecável e enredos que tiram o fôlego

A direção de arte cumpre um papel fundamental para nos transportar entre os períodos, apostando em cores vivas e um tom quase extravagante. Você vai se deparar com os penteados marcadíssimos dos anos 60, a moda extravagante das roupas de academia da década de 80 e a modernização do espaço em 2019, que ganha até uma banheira de hidromassagem durante uma reforma.

Nesse cenário visualmente rico, os desdobramentos de cada cronologia se cruzam. Em 1960, Beth Ann Stanton (Ginnifer Goodwin) muda-se para o subúrbio de Pasadena com o marido, Rob (Sam Jaeger), motivados pela ascensão profissional dele. Ela adota uma postura de submissão a um parceiro tóxico e infiel, mas a descoberta das traições muda as regras do jogo e gera acontecimentos surpreendentes. Dando um salto para 1984, a fútil socialite Simone Grove (Lucy Liu) vê seu castelo de aparências desmoronar ao descobrir que o marido é gay. Já em 2019, a advogada Taylor Harding (Kirby Howell-Baptiste) e o roteirista Eli (Reid Scott) formam um casal supermoderno. Eles vivem as complexidades de um casamento aberto que acaba tomando um rumo fatal.

Suspenses de arrepiar para agitar a semana

Se o seu apetite pede uma dose de adrenalina pura depois de maratonar dramas envolventes, o Prime Video também reforçou seu catálogo de filmes de maneira agressiva em fevereiro. A plataforma adicionou mais de 60 títulos, mas três thrillers aclamados merecem atenção especial. Todos ostentam impressionantes aprovações acima dos 80% no Rotten Tomatoes e entregam o nível de tensão ideal para os dias mais parados da semana.

O desespero de um pai na era digital

O primeiro grande destaque é “Buscando…”, um longa de 102 minutos que inova a linguagem cinematográfica ao se passar inteiramente nas telas de computadores e smartphones. A obra marca a excelente estreia de Aneesh Chaganty na direção e ostenta 92% de aprovação crítica. O elenco, que conta com John Cho, Debra Messing, Michelle La e Joseph Lee, segura uma história eletrizante sobre um pai tentando encontrar sua filha adolescente desaparecida. Ele mergulha em chamadas de vídeo e buscas incansáveis na internet em uma corrida contra o tempo que prende o espectador do primeiro ao último minuto, brincando com as nossas expectativas o tempo todo.

Instinto de sobrevivência na neve

Mudando completamente a atmosfera, “A Perseguição” leva o perigo para o Alasca sob o comando do diretor Joe Carnahan. O filme tem 117 minutos de duração e uma avaliação sólida de 80%. Liam Neeson lidera o grupo de atores que inclui Frank Grillo e Dermot Mulroney. Após sobreviverem a um terrível acidente de avião, os passageiros se veem presos no meio do nada. Eles precisam lidar não apenas com o frio congelante e a falta de suprimentos, mas passam a ser caçados implacavelmente por lobos famintos, transformando a viagem em um cenário de horror absoluto e agonia.

Um clássico dos anos oitenta cheio de reviravoltas

Para os amantes do cinema mais nostálgico, “Sem Saída” é a pedida perfeita. Dirigido por Roger Donaldson e estrelado por grandes nomes como Kevin Costner, Gene Hackman e Sean Young, este suspense de 114 minutos cravou 92% no Rotten Tomatoes. O roteiro muito bem construído acompanha um oficial da Marinha que começa a se relacionar romanticamente com a amante do Secretário de Defesa. Quando a mulher aparece morta, o oficial se vê emaranhado em uma teia de problemas, intrigas e investigações muito maiores do que poderia imaginar. A trama é carregada de drama e pontas soltas, entregando tudo o que um fã de suspense pode exigir de um bom roteiro.